Regime iraniano afirma que a aeronave foi “completamente destruída”; Estados Unidos não confirmam
O governo do Irã disse nesta 6ª feira (3.abr.2026) que abateu um caça F-35 dos Estados Unidos. Segundo Teerã, a aeronave foi “completamente destruída” e a sobrevivência do piloto é “improvável”. Agências iranianas afirmam que o ataque se deu enquanto o avião militar sobrevoava o centro do território. Os EUA não confirmaram.
Essa é a 2ª vez que o governo do Irã diz ter atingido um caça F-35 dos EUA desde o início do conflito, em 28 de fevereiro de 2026. A aeronave de guerra é considerada uma das mais modernas do mundo e é conhecida pela dificuldade de ser identificada pelas defesas aéreas.
O governo dos EUA negou na 5ª feira (2.abr) que esse 1º caça tenha sido atingido em março.
Na ocasião, militares norte-americanos confirmaram que o jato de guerra foi obrigado a realizar um pouso de emergência em uma base norte-americana no Oriente Médio.
Em 19 de março, de acordo com informações da CNN, o porta-voz do Comando Central dos EUA, capitão Tim Hawkins, disse que o caça havia pousado em segurança e que a condição do piloto era estável.
A afiliada da televisão estatal iraniana em Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sudoeste, divulgou imagens do que seriam os destroços da aeronave. A polícia anunciou uma recompensa para quem entregar seus ocupantes. Um membro da tripulação do avião foi resgatado pelas forças americanas, informou nesta sexta-feira a emissora CBS, citando dois responsáveis.
Mais cedo, a agência de notícias Fars confirmou que uma operação "para encontrar os pilotos" estava em andamento.
"Se vocês capturarem vivo o piloto ou os pilotos inimigos e os entregarem à polícia e às forças armadas, receberão uma recompensa generosa", disse a jornalista.
Esta é a primeira vez que a queda de uma aeronave americana em solo iraniano vem a público desde o início da ofensiva dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro. Para analistas, o episódio indica que a República Islâmica ainda dispõe de capacidades antiaéreas, apesar de semanas de intensos bombardeios.
Troca de ameaças
O incidente ocorre após um novo dia de trocas de ameaças entre o Irã e os Estados Unidos e de ataques contra o território iraniano. Teerã voltou a lançar mísseis contra Israel e contra monarquias do Golfo aliadas dos EUA, em resposta às ofensivas e às ameaças de Donald Trump de destruir a infraestrutura civil iraniana.
O Exército israelense não detalhou os alvos atingidos, mas a rádio militar mencionou danos em uma estação ferroviária de Tel Aviv. Segundo a imprensa iraniana, a Guarda Revolucionária - o Exército ideológico da República Islâmica - atacou Tel Aviv e a estância de Eilat, no sul.
Os alertas que orientam israelenses a buscar abrigos em caso de ataque tornaram-se mais precisos graças ao uso de ferramentas de inteligência artificial. "O alerta é ultralocalizado", explica Sarah Chemla, 32, moradora de Tel Aviv, que só acorda os filhos quando o bairro dela é especificamente ameaçado.
Infraestruturas civis são atingidas
Nos Emirados Árabes Unidos, país do Golfo visado pelo Irã, 12 pessoas - nepalesas e indianas - ficaram feridas após a interceptação de um ataque em Abu Dhabi, onde um complexo de gás foi fechado por causa de um incêndio.
No Kuwait, um ataque de drones contra uma refinaria provocou incêndios, e uma usina elétrica e de dessalinização foi atingida. O Exército iraniano afirmou que seus alvos eram locais americanos, israelenses e em "países anfitriões e aliados dos Estados Unidos".
A ofensiva respondia às ameaças do presidente americano, que havia prometido destruir a infraestrutura iraniana, declarando em sua rede Truth Social: "As pontes serão as próximas, depois as usinas elétricas!".
Na quinta-feira (2), bombardeios dos EUA e de Israel destruíram uma ponte em construção perto de Teerã e danificaram o Instituto Pasteur iraniano. Israel afirmou ter destruído "70% da capacidade de produção de aço" do Irã.
Desde quinta, as duas maiores siderúrgicas do país estão paradas. Trump havia anunciado na quarta que pretendia realizar "duas a três semanas" de bombardeios intensos para "mandar o Irã de volta à Idade da Pedra", caso Teerã não aceitasse uma solução negociada.
Estreito de Ormuz
O ex-ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif pediu, em artigo publicado na imprensa americana, que Teerã "conclua um acordo" para pôr fim à guerra. Ele propôs que o país, em troca do levantamento das sanções, "limite seu programa nuclear e reabra o Estreito de Ormuz", rota estratégica para o comércio de petróleo, fertilizantes e outras mercadorias, hoje paralisada.
A quase total paralisação do estreito provocou disparada nos preços do petróleo e de outras mercadorias, alimentando temor de uma crise inflacionária global. O Irã, acusado por cerca de 40 países de "tomar a economia mundial como refém", advertiu que o estreito permanecerá fechado a países considerados hostis.
Mesmo assim, um porta-contêiner do grupo francês CMA CGM atravessou o estreito na quinta-feira. É a primeira travessia conhecida de um grande grupo europeu desde o bloqueio.
Países do Golfo pediram ao Conselho de Segurança da ONU que autorizasse a liberação do estreito pela força. Uma votação prevista para esta sexta sobre o projeto de resolução foi adiada por falta de consenso. Teerã, por sua vez, alertou a ONU contra qualquer "ação provocadora".
O presidente americano Donald Trump, que tem feito declarações contraditórias sobre o Estreito, afirmou nesta sexta que os EUA poderiam "abrir" a passagem e "tomar o petróleo" com "um pouco mais de tempo".
Piloto americano é resgatado após jato ser abatido no Irã, dizem fontes
Ele está vivo, sob custódia dos EUA, e buscas pelo segundo tripulante continuam
Forças dos EUA resgataram um dos tripulantes de um jato de caça americano abatido no Irã, segundo três fontes dos Estados Unidos.
Duas dessas fontes disseram que o piloto está vivo, sob custódia dos EUA e recebendo atendimento médico.
Ainda não está claro o status do segundo tripulante. Fontes afirmam que operações de busca e resgate continuam após o jato F‑15E ter sido derrubado em
Especialista comenta treinamento e riscos enfrentados por pilotos
A ex-piloto da Marinha americana Amy McGrath afirmou que os membros do jato de caça americano abatido, como todos os pilotos de caça, passam por um curso de sobrevivência como parte do treinamento.
Ejetar da aeronave é “algo muito violento para o corpo”, disse McGrath à CNN, em entrevista com Pamela Brown e Wolf Blitzer. “Mas, se você estiver vivo, é treinado para se comunicar com as equipes de busca e resgate que você sabe que vão chegar. Acho que essa é uma das coisas de que nos orgulhamos na aviação militar: temos amigos lá fora que vão nos encontrar.”
Forças dos EUA realizam uma operação de busca e resgate desde que o jato foi abatido e, segundo fontes, já localizaram um dos tripulantes com vida.
McGrath explicou que ejetar sobre um país como o Irã é difícil para os sobreviventes, porque é uma área enorme, e “não sabemos realmente se a população local está a nosso favor ou contra nós”.


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